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Francisca Blázquez
A Estética do Silencio.

Exposición de Francisca Blázquez en Logroño, Hotel Husa Gran Vía, 14-09-2006

 

 

“Amor é um fogo que arte sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer”.  Ao contemplar as pinturas de Francisca Blázquez os versos de Camões vinham à cabeça para desinfetar o universo e também remover o político corrupto do Congresso Nacional de Brasília. Mas a artista reinventa com figuras geométricas um projeto de espiritualidade para o mundo em via de nascer, mas ainda não sabemos qual será a fisionomia do século XXI. Temos a ilusão de que o fim da arte é a morte da forma e da estética. Não é! Enquanto não corremos risco e perigos, chegando ao limite da estética não podemos compreender o mundo. A estética é, um só tempo, nosso sol, e nossa noite escura. A estética implica uma atitude ética e precisa do artista. Portanto as figuras geométricas de Francisca Blázquez são a escola do desnudamento e da autonomia trágica. Será a figura geométrica o fim da honestidade intelectual? Nas pinturas de Blázquez é possível perceber o esgotamento do pós-moderno e a obra é eterna porque as raízes são poemas feitos com as cores e os movimentos da terra. Francisca Blázquez explica que “na arte ela encontra a essência da vida mesma. Uma vida além da matéria. Uma vida que transpassa o infinito, o espaço e o tempo. A arte não mi pertence. Não o possui ninguém” (MONTANÉ, Lluis Joan. Francisca Blázquez - Dimensionalismo. Madrid. 2004. Casino Marbella. P 40).  


Série Dimensionalismo
Em direção ao novo mundo. 120 x 100cm
Acrílico sobre tela. 2004.

 


Estas figuras geométricas devoradas pelo movimento constituem uma alegoria pictórica da dimensão trágica e sublime que Blázquez descobre na existência humana, junta à sociedade degradada e corrompida da que dá testemunhos em outras obras.


A primeira aproximação do quadro “Em direção ao novo mundo”, de 2004 o espectador fica impressionado com a capacidade da artista em trabalhar com fenômenos luminosos. Ela apropria da imagem do caleidoscópio; e capta com pinceladas o espírito diluído e fragmentado pela luz que penetra nas Igrejas através dos vitrais góticos. A pintura exije a cumplicidade do observador. E a pintura é um jogo de cores no ato de olhar e guarda o movimento elegante da mão. Na tela de Francisca reconheço a visão do cientifico que pesquisa o universo, como a fascinação de um menino com a ilusão de ver a forma e a cor. Afirmo que a pintura de Francisca Blázquez semeia a imaginação poética e cada obra nasce com o frescor de um começo.Pintar para Francisca Blázquez é um momento mágico e trágico que ocorre quando suas formas geométricas se desprendem do plano e se envolvem com o espaço. O olhar da artista está voltado para os cantos esquecidos do mundo. Mas o que mais me encanta nas pinturas de Blázquez é perceber fragmentos dos murais de Bonampak. A artista persegue na arte mesoamericano a construção da memória generosa, pertencente há um tempo e um espaço universal, capaz de compreender a condição humana com suas contradições. Em suas pinceladas as figuras geométricas se tornam possibilidade de construção de um inusitado dicionário do humanismo. É um dicionário secreto, repleto de simbologias, escrito e uma caligrafia ancestral e as cores imortalizam o passado. É neste mundo poético de Francisca que o tempo desprega de sua linearidade e assume formas de caracoles.
A imagem do trabalho humano que transformou a Mesoamérica é o grande tema da arte de Francisca Blázquez. Com as figuras geométricas ela propõe com imagem a verdade fragmentada. Em sua obra, os objetos criados pelo ser humano são comparados com o estado natural, orgânico e concreto. É a reconstituição do estado primitivo em que a tecnologia reencontra o natural, justificando a presença do circulo em quase todos os trabalhos, que traz consigo a idéia do tempo cíclico – pero, também da serpente que devora o próprio rabo. Sabemos que tudo é abstrato: e a imagem é o próprio objeto. Suas contradições são artifícios. Aludem e iludem. As figuras geométricas são escrituras, ideogramas materializados num registro imaginário. São todos objetos arqueológicos recolhidos por Francisca Blázquez.A artista faz um obsessivo dicionário da vida, recuperando em cada figura geométrica o espírito humano – receptáculo de potência e ação. Em silencio Francisca inventa um espaço e expande a história escondida em pequenos objetos.  


Detalhe – muro leste. Círculos presentes nos muros de Bonampak. Fresco Seco. Cenas pictóricas da Dinastia de Bonampak.


Bonampak está na Selva Lacandona em Chiapas, no vale do Lacanhá – Sua extensão é mais de quatro kilometros quadrados. Período clássico (250 d.C.) Na câmara dois a pintura mural se mostra uma sangrenta batalha, a apresentação e o suplicio dos prisioneiros capturados. E na Câmara dois - cenas da festa da vitória, há imagens de danças.Na época pré-hispânica os pintores dominavam o oficio da arte e possuíam conhecimentos religiosos e calendáricos para não falsificar o que os governantes e sacerdotes requeriam para ficar plasmado para a posteridade. O pintor conseguiu num espaço bidimensional imprimir volumes a idéia de terceira dimensão. Francisca Blázquez se toma o direito em converter o silêncio em frágil rumor, o débil rumor, em um grito. E a voz da arte. O circulo, elemento primordial – fonte de luz e calor –que funciona como evocação do passado e, antropologicamente, arcaica é à força da transformação. O circulo desperta a geometria do sono primitivo e o instrumenta para servir o homem.É deste conhecimento que a arista se apropria.Assim Francisca entra nos reinos dos reis Pacal, de Palenque e de Chaan Muann II de Bonampak para esclarecer que o sagrado é inviolável. E sua pintura impregnada de sentimento de catástrofe que comunicam com toda natureza – esta é a metáfora do seu trabalho. A arte de Francisca é realizada a partir da intuição, mas com uma intensa emoção que não é possível explica-la a partir da lógica. Blázquez encontrou alguma coisa que ainda não sei nomear. Mas não é necessário. Melhor que compreender um quadro da artista é experimenta-lo, entregando-se ao prazer espiritual das figuras geométricas. 


 

 

 

 

 

 

   

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